Para quem não sabe, o modelo na foto é um homem, chama-se Andrei Pelic. Dito isto, fica mais fácil entender a polémica que uma campanha publicitária de lingerie, protagonizada por este manequim (+ uns implantes no peito), tem gerado.
Para as mulheres isto deve ser um pouco assustador, dado o poder que elas sabem que têm sobre os homens por serem belas. Enfim, estariamos perante o abuso do século, que é um homem entrar no reduto feminino e dizer que todas as mulheres devem ser muito magras. É como se a atitude dele representasse uma mensagem de todos os homens.
Acho que as mulheres deviam ser mais descontraídas e desportivas a encarar estas coisas.
Aliás, se as mulheres conhecessem um pouco melhor os homens, saberiam há muito tempo que a maioria de nós não se liga muito nestas cenas de modelos e modas - a única coisa sedutora que esse universo tem é o interesse que as mulheres lhe dedicam.
A indiana Jyoti Amge,
de 18 anos e 62,8 centímetros de altura, foi considerada a mais pequena
mulher do mundo pelo "Livro Guinness de Recordes" (no DN de hoje).
Ia eu pela rua, em mais um dia dormido e cinzento, à procura de um café da manhã que me acordasse. Pois ia, até aqui nada de novo. Ao passar por uma paragem de autocarro uma espécie de força sobrenatural fez-me levantar os olhos. De braços cruzados, saia um pouco cima do joelho, botas altas castanhas, cabelo selvagem, rosto sereno de belo, em atitude de espera, jazia o meu sonho morto, um poster sob a forma de mulher, daqueles que nunca terei no meu quarto.
Não me lembro de ter feito nada de mais, acho que apenas a olhei com olhar distante. Foi por isso com total espanto da minha parte que, acompanhada pelo ruido de chicote no ar típico dos filmes de artes marciais, ejectando-se da porta de uma loja de roupas como se fosse um matraquilho, me saltou ao caminho uma freira, com não mais de 1.50m de altura e um buço que a poderia levar ao pódio numa competição de bigodes. Pra trás pecador!, disse-me a mulher, ao mesmo tempo que avançava para mim com uma sequência de pontapés e murros para a frente, dos quais, diga-se por ser verdade, e sem saber bem como, me desviei esplendidamente.
Foda-se, mas a senhora é doida?!, disparei-lhe irritado, Eu já te dou o doida arraçado do demónio!, respondeu-me metálica, passando-me uma rasteira que me fez cair de costas na calçada. Mirou-me com ar de desprezo e tentou aplicar-me um fumikomi (gesto com o pé, semelhante a pisar) num sítio que dói muito aos homens, uma rotação das ancas in-extremis salvando-me e devolvendo-me à posição vertical.
Decidi sair daquele sítio a correr, com a incómoda sensação de que ainda me hei-de cruzar novamente com esta personagem.
Já nos habituamos a que, quando um serial killer é descoberto, os vizinhos venham mostrar-se incrédulos, jurando a pés juntos que aquela personagem sempre fora a santidade e a boa educação em pessoa. Também não é raro que uma pessoa que sabemos ser bastante 'má', violenta, etc, revele por vezes uma grande dose de bondade, algo que costumamos ver, por exemplo, em filmes em que ditadores sanguinários aparecem em cenas de ternura com crianças ou animais.
Parece que as pessoas precisam de um certo tipo de equilíbrio, tornando-se a vida insustentável para quem é normalmente muito bonzinho, se não compensar essa bondade com alguma 'maldade' (idem para 'mauzinho' e 'bondade'). Por isso, sim, acredito que as mais santinhas possam, por vezes, ser as piorzinhas ;).
Companheira de Adolf Hitler. Bela, atlética, jovial. Conheceram-se quando ela tinha 17 anos. Por mais do que uma vez tentou suicidar-se durante o relacionamento. Casaram em 1945 num bunker em Munique. 40 minutos depois cometeram ambos suicídio.
Piso molhado, chuva insistente, 20 metros à minha frente um camião com atrelado mudou de súbito para a minha faixa quando me preparava para passar por ele. Travei a fundo (obrigado ABS!), não sei como não lhe bati na traseira, o que seria muito mau dado que poderia estragá-la e a oficina para aquele tipo de reboque deve estar pela hora da morte. Dediquei-lhe a maior buzinadela da minha carreira e uma passagem de um poema de Eliot de título #%$&/%$!!". Fosca-se, passaram alguns minutos até as minhas mãos pararem de tremer.
Devia ter visto a minha vida desenrolar-se à frente dos olhos, mas não aconteceu nada disso. Em compensação, durante o dia todo não me sai da cabeça esta música, relíquia de baú dos anos 60. Não sei porquê, a nossa cabeça é complicada.
Pois olha, nada mais simples. Basta começares a assassinar pessoas com arte suficiente para não seres apanhado(a). Daqui a 20 anos já prescreveu.
E, perguntas tu, pessoa nada dada a chular os outros nem a gozar com a cara do comum cidadão, mas com curiosidade suficiente para superar o horror que te traça o rosto, Como é que isso me garante a reforma?
Ora, inocência feita gente, deixa que te explique: daqui a 20 anos escreves um livro, no qual contas todos os detalhes, vertendo cada pingo de sangue e cada grito de horror nas páginas brancas, sem te esqueceres de chamar monstro a ti mesmo, de mostrares um profundo arrependimento e de exprimires uma pungente abertura para amar e ajudar o próximo (juntas-te à IURD ou a uma merda que o valha). Não só vai vender como pipocas, como ainda arranjas grupos de fãs e até, quem sabe, algum bom partido que queira casar contigo.
No meio disto tudo, o que me fode é o seguinte: que puto de país é este onde um cabrão pode assassinar mulheres e daqui a 20 anos ser como se tivesse morto formigas? Que cabra de justiça é esta?
Não conheço Lisboa, excepto a gare do oriente e o aeroporto.
Dada a paixão com que os lisboetas falam da sua cidade, alguma coisa devo estar a perder.
Apesar de tudo, aviso a quem quiser apreciar a capital que é arriscado escolher vê-la dos céus, especialmente se viermos de Marrocos, num avião a hélice minúsculo, comandado por um piloto marado, que mete a aeronave com as asas na perpendicular ao solo como quem quer despejar os passageiros no Tejo (ainda bem que os lugares de passageiro não têm portas), faz reduções de velocidade que nos atiram o coração para a garganta, e que aterra com a suavidade de um elefante a saltar de um 5º andar, com malas a cairem para o chão, a porta do quarto de banho a abrir e a água do lavatório a vir parar ao corredor.
Se calhar achas.
Independentemente de todos os complexos com a aparência que possas ter, não deves esquecer o seguinte. Estamos habituados a ver o nosso rosto ao espelho. Aí vemo-nos com a simetria invertida, ou seja, a nossa face direita aparece à esquerda na imagem do espelho, e a nossa face esquerda aparece à direita.
Como o nosso rosto não é simétrico (as duas faces não são exactamente iguais), o rosto que vemos nas fotos aparece diferente daquele que o espelho nos mostra. É como olharmos para alguém que não é bem a nossa pessoa. Há quem não aprecie essa espécie de clone óptico ;).
A minha namorada saiu com o meu carro.
No estacionamento alguém fez uma mossa na porta direita. Toda a tarde se lamentou por causa disso, enchendo-me a cabeça com algo parecido com sentimento de culpa. A dada altura disse-lhe, E estás chateada por causa da merda da porta? Quero lá saber dessa porcaria, olha, não tarda vou lá fora dar uma patada na porta esquerda, assim já ficam iguais.
Ontem sonhei que tive um jogo contra o Benfica, a contar para o campeonato. Uma honra, diriam alguns clubes de 3ª categoria, pisar o relvado da Luz.
Ora uma honra uma ova!
Primeiro porque não gosto de jogar eu sózinho de um lado contra 11 jogadores do outro - sim, era assim o sonho. Depois porque empatei 1-1, sendo que o golo dos gajos foi marcado em off-side e sofri pelo menos 3 entradas para cartão vermelho do Luisão, que nem o amarelo viu.
Foda-se lá o futebol, é desporto que não me capacita!
Um tipo sofria de dores nas costas, dificuldade em urinar, dores de cabeça intensas, palpitações, refluxo gástrico, impotência e desmaios frequentes. Resolve ir ao médico e faz-se acompanhar da mulher, receosa que o marido desfalecesse pelo caminho. Entram os dois no consultório, Então de que se queixa?, pergunta o médico, ao que o homem responde, Senhor doutor, ando muito preocupado com a saúde da minha mulher.
Isto é o que me faz lembrar um jornalista trambolho que, estando o mundo à beira de dar um estoiro, resolve fazer um vídeo com umas perguntas de treta (alguém lhe deve ter oferecido uma embalagem de Sonasol com uma definição de cultura) a alguns universitários, só para poder chamar burros aos miúdos (não tem espelhos em casa, pois não).
Ó marmelo do catano, aqueles com quem te deves meter são um bocadinho mais velhos. Alguns deles zurram bem alto, passando por magníficos gestores e políticos, e têm uma idade mais próxima da tua que da dos universitários.
Abeirei-me de uma gaja pra lá de feia e disse-lhe, Boa tarde, sabes que me fazes lembrar um gajo que jogou 3 épocas a defesa central no Recardães? Ela torceu os lábios em desprezo olhou-me nos olhos por uns segundos, e respondeu, Ai sim? Mas sabes há de certeza uma diferença entre mim e esse defesa central. Qual?, pergunto eu , A diferença, diz ela, está no número de bolas que eu e ele conseguimos chutar ao mesmo tempo, complementando este apontamento técnico com um pontapé em cheio no meio das minhas pernas.
Ao rebolar-me no chão, lavando o passeio com a minha própria baba, não me saía da cabeça o modo como, perfeita, rodou as ancas, engatilhou o pé e chutou. Certeira. A gaja deve mesmo ter sido o puto do central do Recardães.